A INFLUÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO

O livro de Atos foi escrito como uma continuação do evangelho escrito por Lucas. Ambos os livros foram direcionados à Teófilo que, na teoria que eu acredito, foi um patrocinador de Lucas na sua jornada acadêmica em Medicina.

Por se tratar de uma continuação, o livro começa relatando o período de 40 dias o qual Jesus permaneceu com os apóstolos após a sua ressurreição, os ensinando e falando das coisas do Reino de Deus. Jesus os faz um pedido: que eles não saíssem de Jerusalém até que a promessa de que viria o Consolador, o Espírito Santo, se cumprisse, reafirmando também a promessa dada por Deus por meio de João Batista (Atos 1:5). Através do Espírito Santos eles receberiam poder para serem testemunhas de Cristo, não só em Jerusalém mas em todo o mundo, para que se cumprisse também a promessa que Deus fez a Abraão.

Após dar esse spoiler sobre a vinda do Espírito Santo, Jesus subiu aos céus e uma nuvem o encobriu, os que estavam com ele já não o viram mais.

Esse início do livro é animador pois ele não só inicia com uma promessa mas com a reafirmação de várias outras que Jesus havia prometido durante o tempo em que esteve aqui na terra, todas elas referentes a uma única pessoa:THE HOLY GHOST, o Espírito Santo.

Ouso dizer que o nome do livro seria melhor se fosse Atos do Espírito Santo, pois durante toda a leitura nós vemos que os acontecimentos foram todos por meio dEle. Ler e entender isso fez arder algo no meu coração e eu quero compartilhar isso com vocês.

O Espírito vem como um vento impetuoso em Atos 2, enchendo todos aqueles que estavam reunidos em Jerusalém para o dia de pentecostes. Segundo a tradição, todos os judeus que foram espalhados por vários lugares do mundo (como vimos no texto do “Cartas para Nós – Romanos”) iam para Jerusalém nesse período. O ambiente estava tão louco que todos começaram a falar em línguas como de fogo e a profetizar por meio do Espírito, mais louco ainda foi que cada um os ouvia falar na sua própria língua, na língua da região que eles foram se espalhando (foi tipo uma torre de Babel reverso). Podemos dizer que o Espírito Santo chegou mostrando pra que veio.

Essa galera, já cheia do Espírito, ouviu a famosa pregação de Pedro que, pra mim, é um modelo a ser seguido no que diz respeito à pregação do evangelho, pois foi uma palavra 100% cristocêntrica. 3 mil pessoas se converteram através daquela pregação e nós vemos que a autoridade em que Pedro trouxe aquela palavra não era dele – Pedro havia sido cheio da autoridade do Espírito. Essa autoridade é vista durante toda a história de Pedro no livro de Atos.

O capítulo 4 relata sobre essa autoridade. Pedro e João, enquanto pregavam o evangelho para o povo após a cura do coxo (cap.3), foram detidos e presos pelos sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus que não aceitaram a mensagem que eles pregavam. Eles foram levados ao Sinédrio e questionados: “Com que poder ou em nome de quem fizeste isto?”- essa foi a abertura perfeita para Pedro. O v8 relata que Pedro, cheio do Espírito Santo, começou a falar às autoridades que os questionavam e eles ficaram admirados com a intrepidez que Pedro e João falaram pois os dois eram iletrados e incultos, ou seja: eram pessoas normais falando com autoridade que não vinha deles.

Depois que eles foram soltos, correram para os irmãos e contaram tudo que tinha rolado no Sinédrio, eles começaram, em uma só voz, a orar. Quando eles terminaram, o lugar tremeu e todos os que ali estavam foram cheios do Espírito e começaram a Anunciar a palavra de Deus com autoridade, e nós vemos que eles anunciavam com grande poder sobre a ressurreição de Jesus e em todos havia abundante graça (v33). Muitos sinais e milagres aconteceram a partir disso, não só através da vida de Pedro, mas de todos aqueles que haviam sido cheios do Espírito Santo – dentre esses está Estêvão.

A história desse cara reafirma aquilo que queima no meu coração através do livro de Atos. Estêvão foi escolhido para ser um dos diáconos, mas ele era um cara diferenciado. Dentre a listagem, o nome de Estêvão é acompanhado das suas principais características: homem cheio de fé e do Espírito (Atos 6:5), logo em seguida ele acaba vivendo o mesmo que Pedro e João viveu e foi levado ao Sinédrio. Com a mesma autoridade ele falou perante as autoridades, pregando a mensagem de Cristo e isso os enfureceu, mas os olhos de Estêvão foram abertos (Atos 7:54) e ele viu Jesus em pé à direita de Deus pai no céu (pensa que loucura deve ter sido isso). A fúria das autoridades só aumentou e eles o levaram para fora da cidade e o apedrejaram e até nesse momento Estêvão continuou pregando o amor clamando: “Senhor, não lhes imputes este pecado!”.

Em todo o livro de Atos nós vemos a ação do Espírito através das pessoas que o receberam. Pedro, João, Estêvão, Paulo, Filipe… todos esses fazem parte do livro de Atos e todos nos ensinam a forma com que o Espírito Santo age. Mas o que me levou a focar nesses dois foi a forma com que o Espírito nos usa nas nossas fraquezas.

Pedro era um cara sem estudos, pescador raiz, conhecido em Jerusalém e foi visto falando com Autoridade no meio dos maiorais na época.

Estêvão era um jovem da igreja de Jerusalém, escolhido para ser diácono junto com outros jovens que foi posto na mesma situação de Pedro e falou com a mesma autoridade.

Ambos continham a mesma autoridade, não no sentido de única, mas no sentido de que vem da mesma fonte: o Espírito Santo.

Essas histórias nos mostram o quanto que não depende de nós, mas sim da ação dEle em nós.

E autoridade não está ligado a forma ou o tom com que se fala, não é sobre falar bonito ou falar alto. A Autoridade está ligada à convicção daquilo que carregamos, daquilo que somos, daquilo que temos em nós e temos o Espírito Santo. Somente o fato dEle escolher habitar em nós já é o suficiente, pois a bíblia diz em João 13 que Ele nos lembrará tudo aquilo que Jesus nos ensinou, Ele reafirma tudo aquilo que Cristo depositou no nosso coração.

Paulo fala em sua carta aos Coríntios que nós somos cartas escritas por Deus e lida pelos homens, essa carta Deus escreve no nosso coração e é lá que o Espírito Santo escolheu habitar, então ninguém melhor para nos mostrar quem nós somos do que Ele, para manifestar a autoridade que nos foi dada por Deus.

O livro de Atos não tem um fim, o que mais ouvimos é que os atos ainda acontecem através de nós e SIM, eles ainda acontecem. Esse livro continua sendo escrito por nós e o melhor de tudo isso é que o Espírito Santo não mudou, ele continua o mesmo. O cenário é completamente diferente, pois se passaram 2000 mil anos (estranho seria se continuasse o mesmo), mas o Espírito é o mesmo. Isso queimou no meu coração e eu trago para que possa queimar no de você que está lendo também. Ele não depende do que nós achamos que somos, ele nos usa no que Ele sabe que nós somos.

Esteja aberto a ser usado por Ele.

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